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Maia, Portugal
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quarta-feira, 31 de março de 2010

Somos Um

Apresentação da turma 10ºc. Rostos desconhecidos por todo o lado eram abundantes.
Pensava eu que tudo tinha chegado a horas, estava ansiosa para saber o nome dos desconhecidos, ate que passado cerca de 15minutos de ter começado a apresentação, entra pela sala um rapaz com um saco de treino do Santana de andebol às costas. Entrou e disse: Boa tarde, desculpe o atraso, sou o Pedro Gonçalves. E sentou-se.
Comentei com a Ariana: o que acabou de entrar é girito. A apresentação continuou com o maior blabla.
Inicio das aulas: como não conhecia a maior parte, o silêncio por parte de muitos era constante. As semanas foram passando e começamos a dar os primeiros passos, a querer conhecer a nova turma. Íamos convivendo, conversando, sabendo pormenores talvez confidencias das vidas uns dos outros.
Mas houve um dia, nunca mais me esquecerei. Estávamos na aula de filosofia, a levar com a velha, sim porque ela era mesmo uma velha rabugenta, e olhei para trás: senti o Pedro Gonçalves em baixo de forma, parecia triste, desanimado, sem vontade de estar ali. Não sabia quase nada sobre ele, era raro falar com ele, não me dava tão bem com ele como dava com os restantes; não porque não quisesse, mas pensava até que ele não gostava de mim. Decidi mandar-lhe um bilhete: que se passa Pedro? A resposta foi imediata: Nada Inês. Insisti, pois notei que ele precisava de falar e desabafar o que o atormentava. Acabou por contar. Falamos de mim também, não estava nos meus melhores dias. A conversa foi desenvolvendo.
A partir daí a nossa suposta relação de amizade mudou para o lado positivo; Fortaleceu o que de pouco existia entre nós. Passei a conhece-lo como queria, a saber tudo sobre ele. Começamos a confiar um no outro, a confidenciar segredos que só as nossas pessoas tinham acesso. Evoluímos com o passar do tempo. As aulas de caretas, as fases de ranhocas, os arrotos que me deixam a falecer, os intervalos a passear, a subida das escadas comigo as cavalitas, a compra da nossa pulseira, os lanches em conjunto, o cafoné nos braços, os riscos nos cadernos, os amo-te nos livros, os bilhetes com declarações (…)
Hoje, partilhamos tudo. Tanto estamos para o bem como para o mal. Quando é preciso fazer festinhas, abraçar ou lançar um sorriso, estamos logo prontos a faze-lo um ao outro, mas quando é preciso batalhar e martelar para que os nossos erros, problemas e tristezas desapareçam, também somos os primeiros a lá estar. Considero-o como um irmão, um melhor amigo que sei que estará presente, sendo os dias de sol radiantes, ou os dias de chuva aterrorizantes.


Pedro Miguel Ferreira Gonçalves, um simples nome, uma eterna pessoa, um amigo para todo o sempre.



     AMO-TE
                     

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